– Mais Ilha dos Marinheiros

Ao se observar a ilha dos Marinheiros, percebe-se que embora próxima ao continente, manteve-se intacta com relação aos costumes tradicionais, às práticas de filantropia, a uma organização social própria na ilha, onde até hoje não existe posto policial, médico, odontológico, cemitério ou mesmo uma linha de transporte regular.

A ilha possuí uma área de 39,28 km2 e encontra-se a 32º. 00`de latitude sul e 52º. 6`de longitude oeste, sendo de grande importância para a região sul do estado do Rio Grande do Sul, Brasil.

A escolha do uso da fotografia está ligada às inúmeras possibilidades de observação e leitura que ela permite. De fato, Collier Jr., diz: “O valor da fotografia, nesta circunstância, é que ela oferece modos singulares de observar e descrever a cultura…” (Collier Jr. 1973. 34).

Ali, através de fotografias, registrou-se o seu modo cotidiano de viver e lhes foi apresentado a sua forma de viver, sua cultura, suas tradições, seu patrimônio, seu cotidiano, a beleza da simplicidade, lhes permitindo se reconhecer como protagonistas de seus fatos sociais.

A leitura das imagens, pelos ilhéus, tem sido documentada. O processo que tem início com uma visita e a concessão, ainda que tácita, de uma autorização para se fotografar, dá início a visitas mensais ao mesmo grupo. Uma nova visita onde o ilhéu recebe a foto, e diante da mesma, expressa suas reações tem tal acontecimento novamente fotografado.

A associação de texto e imagem, em uma convivência sem sobrepor-se um ao outro é salutar. A utilização de textos híbridos, ou seja, aqueles que contemplam a utilização da linguagem fotográfica e da linguagem tradicional, certamente seriam mais completos, explicáveis, pois ao conjugarem imagens e palavras de forma conjunta, fornecem ao leitor uma idéia exata do que o autor pretende contar.

Na metodologia aplicada, entrevista-se com imagens e se faz imagens da entrevista, que por sua vez são revistas na próxima visita e, quando entregues ao ilhéu, são novamente fotografadas. O caderno de campo de forma igualitária é composto de textos e imagens, que permitem ao pesquisador uma visão mais completa dos fenômenos observados.

Todavia, narrar através de imagens, é apresentar uma realidade patrimonial, cultural e etnográfica, indizível com palavras. Não posso descrever um gesto, um olhar, uma pose, com toda a sua plenitude e carga emocional, através de um texto tradicional.

De fato, Lewis Hine, famoso fotógrafo documentarista dizia “Se pudesse narrar com palavras, não necessitaria arrastar uma câmara atrás de mim” (apud in Sontag. 1981. Pg.177), como se referindo a impossibilidade do texto conter a toda a informação visual da realidade possível de descrever no momento.

A câmara fotográfica no dizer de Sontag “estabelece uma relação conclusiva com o presente (a realidade se conhece por seus vestígios) e fornece uma visão da experiência instantânea retroativa” (Sontag. 1981. Pg. 160).

De fato, “A linguagem não-verbal do realismo fotográfico é a mais entendida inter e transculturalmente. Esta facilidade de reconhecimento é a razão básica para a câmara ter tal importância antropológica.” (Collier, 1973. Pg. 06).

A leitura que fazem das imagens e o texto, colocado não como legenda explicativa ou complementar da imagem, mas de uma forma evocativa, onde os olhos e a mente bailam entre imagem e texto, preenchem simultaneamente os buracos da memória, e fornecem pistas para o futuro.

Assim a compreensão da realidade social e dos fatos que norteiam seu agir tem sido mais facilmente entendidos e compreendidos, a partir da leitura “scaneada” que fazem das planilhas seqüênciais e estruturais que analisam.

 

 


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