Arquivo para junho \22\UTC 2008

22
jun
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Uma Ilha…

Quando se visita a ilha dos Marinheiros, pela primeira vez, impressiona a mágica do lugar. Talvez, o olhar ao se debruçar sobre o verde, os ouvidos escutarem o borbulhar do mar e o olfato perceber aquele cheirinho puro de ar e liberdade, a tornem, parte de um sonho que se teve quando criança.

Depois a fantástica acolhida que se recebe dos ilhéus, e o poder partilhar de sua vida, seus sonhos, seus anseios e desejos, mostram que a vida é mais do que relógios a ditarem o andar das pernas e o fazer das coisas.

A vida que se percebe ali, é de uma vida fundamentada na exteriorização dos aprendizados feitos através da experiência e do próprio tempo, os quais, datam da época em que os mitos estavam à serem criados, e as lendas eram apenas histórias dos acontecimentos ocorridos no dia anterior. Ali se descobre que cada antigo é uma enciclopedia sobre a própria cultura e a sua sociedade.

Percebe-se neste trabalho de dissertação, que a religiosidade, e a fé no sobrenatural, é que ditam a ordem social naquela sociedade. Que o indíviduo se adapta ao tempo dos ventos e das marés, e faz com que a sociedade insular, embora, corrompida pelo cotidiano da modernidade, busque re-encontrar no tempo mítico, o sagrado e os valores da própria existência.

É, pois, destes encontros e re-encontros, que o homem da ilha dos marinheiros restabelece a harmonia  com o sobrenatural, e prepara-se para se confrontar com o profano, até a próxima festa, fazendo com que o fato social, ainda que individual, seja a expressão cultural que exprime a geografia social do ilhéu.

Partilhar desta experiência do “marinhense”, é uma dádiva, foi uma dádiva, e a obrigação de se retribuir, se faz neste trabalho. Com as imagens fotográficas foi possível, como diz  Marc Augé, pela curiosidade do etnológo “devolver(em)  àqueles os quais investiga o gosto pelas origens”.(AUGÉ.2007.44).

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