25
abr
08

Fotografia e Antropologia

Faz-se necessário uma reflexão sobre a fotografia e o seu uso na antropologia. A pretensão é de se elucidar, como estas duas ciências podem conciliar as duas modalidades de conhecimento, de forma a contribuírem para uma melhor compreensão do estudo das sociedades, das culturas e dos fatos sociais, que registram e observam. Comunicação e Antropologia, nos termos de Samain (1998.09), “dão-se muito bem e comunicam-se muito mal. (…) se imaginam mais do que se conhecem, narcisam-se mais do que se exploram mutuamente”.

A invenção da fotografia, “(…) abriu à antropologia novas possibilidades de trabalho, como objetivar aspectos da realidade que antes não passavam de meras impressões”(GURAN. In ACHUTTI.1998.88), uma vez que a própria natureza vai se substituindo a cada momento, mudando o anteriormente visto. No atual processo de modernidade globalizante, a própria cultura sofre alterações a cada momento, estando em contínuo movimento.

A cultura é indiscutivelmente um reflexo da comunicação humana. Silveira (2002), diz que a cultura contemporânea é indissociável e essencialmente midiática ao ponto de Antropologia e Comunicação “parecerem espaços sobrepostos, linguagens complementares, verso e reverso do mesmo saber (SILVEIRA.2002.6). As vertiginosas mudanças, as quais o mundo moderno se submeteu, coisa jamais vista na história da humanidade, não podem ser paradas, mas agora, com o advento do ato fotográfico, podem serem registradas, gravadas e armazenadas para “depois” se ver.

Ao se falar de fotoetnotextografia, se fala de uma hiperescrita (textos híbridos não lineares) entre diferente meios e variados discursos (STAM. 2001), que aqui são utilizados para apresentar, documentar, descrever um acontecimento observável, através desta técnica. Mas, para tanto, é necessário deixar-se de lado a canonização do texto etnográfico como linguagem única para retratar a alteridade.  A expressão de Marshall Mcluhan (1979) de que  “(…) o meio é mensagem”(MCLUHAN.1979.21), encontra a visão como forma de o identificar, e se é mensagem, encontra na luz uma forma de reprodutibilidade que reforça o análogo do visto.

A invenção do alfabeto, tradicional fez com que a imagem se tornar-se uma alegoria, que necessitava de uma persuasão. A voz da autoridade, na narrativa, pertencia ao texto, embora, as vezes, viesse cooptado pelo imagético. José da Silva Ribeiro (2005), menciona “(…) os antropólogos desconfiaram das imagens ao mesmo tempo em que mantiveram uma secreta esperança de que estas lhes resolvessem alguns problemas (o da objetividade). (RIBEIRO. 2005. 634), e assim, desde o início, estabeleceram uma afinidade com aquele aparelho “reprodutor técnico da realidade”, a câmara fotográfica.

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