Arquivo para março \30\UTC 2008

30
mar
08

 

A“Fotoetnotextografia”, termo que neste momento, crio e que tem como objetivo definir a forma como a fotografia e o texto deverão interagir, com a mesma importância, a fim de comporem a narrativa visual aliada a oral, e estruturada para a realização de estudos sócio culturais etnográficos e antropológicos. 

A “Fotoetnotextografia” define-se como a narração etnográfica com a utilização de imagens fotográficas e textos conjugados a partir da utilização dos novos suportes tecnológicos de comunicação. A fotografia digital, o gravador digital, o computador portátil, e o velho e tradicional caderno de campo.

A escolha do uso da fotografia está ligada às inúmeras possibilidades de observação e leitura que ela permite. De fato Collier Jr., diz “O valor da fotografia, nesta circunstância, é que ela oferece modos singulares de observar e descrever a cultura…” (Collier Jr., 1973:34), o que para Susan Sontag evidencia que “a Fotografia fornece provas. Determinada coisa de que ouvimos falar, mas que nos suscita dúvidas, parecemos comprovada quando delas vemos uma fotografia” (Sontag, 1981:05).

A abordagem de imagens (fotografias), textos e falas, ordenadas de forma simples, a fim de comporem um discurso comunicacional científico que busca elucidar um objeto de estudo de um fenômeno sócio cultural, que, repleto de enigmas, compõe algumas das estruturas mais elementares das sociedades existentes.  

Porém, esta forma de estudo, busca fugir dos tradicionais trabalhos de antropologia visual, que exaustivamente tentam conferir ao texto o que Margaret Mead refuta ao dizer, “(…) comecei a considerar que apresentações visuais seriam capazes de ultrapassar barreiras instransponíveis para a comunicação verbal” (Mead apud Samanin apud Alves, 2004:47), refletindo então que a utilização das imagens fotográficas são eficazes na descrição da realidade do mundo visível no dizer de Guran “(…) o que se espera das fotos é que elas tenham o máximo de eficácia quanto a transmissão da informação” (Guran, 1994:49). 

Assim o que para Achutti seria “(…) Uma narrativa fotoetnográfica deve se apresentar na forma de uma serie de fotos que estejam relacionadas entre si e que componham uma seqüência de informações visuais” (Achutti, 2004:109) o que se completa em Benjamin “(…) são mais facilmente visíveis na fotografia que na realidade”. (Benjamin, 1996:104).

Ettiene Samain, ao comentar Balinese Character de Bateson e Mead, diz ao se reportar ao uso da imagem e do texto, por eles aplicado na narrativa etnográfica:

Bateson e Mead sabiam que a imagem não era equivalente do texto, sabiam que a capacidade despertadora da imagem não podia igualar a função enunciativa da linguagem. Sabiam, fundamentalmente, que ambas ofereciam algo singular e se complementavam. Atribuíram credibilidade às imagens, procurando através delas traduzir idéias e conceitos relacionados ao “ethos”. Imagens sem as quais teriam precisado não de um livro, e sim de uma coleção de livros para tentar evocar, em longas e cansativas descrições verbais, condutas e comportamentos culturalmente esteriotipados e, antes de mais nada, de natureza visual. (Samain apud Alves, 2004:69).

O diálogo das percepções do velho e do novo, aqui presentes, na luta sobre as visões de mundo urbanas e modernas, rurais e cosmopolitas, diante da tradição, do mítico, do religioso e do sobrenatural, dão a matéria prima, para o pesquisador verificar esta etnografia.

Eis a forma de trabalhar com a “Photoetnographia”.

 

           

29
mar
08

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29
mar
08

A ILha e eu

Herdeiros naturais, das utopias sociais que envolvem as ilhas e seus habitantes, Os ilhéus, são os protagonistas da sua própria historicidade e transformaram estes ambientes considerados no passado, como impróprios para a vida humana, em seus espaços sociais, culturais e históricos,  indo além do apelo imaginário  e mágico, que as ilhas e seus habitantes despertam na psicologia do homem moderno.

26
mar
08

Orfão

Com o note pifado! Buscando novas opções para escrever a dissertação e ao mesmo tempo evoluir em qualidade. O desespero começa pela carteira, passa pelo tempo e aguarda um telefonema da assistência técnica dizendo!

Ainda não é agora! Você não está orfão.

25
mar
08

Tupahue

Conhecer a fundação Tupahue é um exercício físico e mental. Afinal a reserva ecológica de 250 ha, é cheia de surpresas e tem milhões de coisas (flora e fauna) para se fotografar. Pensar que Tupã ( Divindade, Deus, sagrado, divino) e hue (lugar, terra, local), nos colocam no Lugar Sagrado!
Realmente o ecosistema deve ser assim encarado. A terra mãe é sagrada e como tal deve ser respeitada e bem tratada. A Experiência de coordenar uma pesquisa ambiental, produzindo textos visuais é algo emocionante e encorajador.
23
mar
08

Interessante este pensamento…

O Antropólogo (E TODO ser humano) procura observar, conhecer e entender o “real”, esse campo vastíssimo da “realidade” humana. Um campo ou, melhor dizendo, um organismo em constante ação e interação, em constante trabalho de parto, de luto e de renascimento. Um gigantesco território vivo, recortado, no tempo e no espaço, por histórias, memórias, imaginários; atravessado por símbolos, sonhos e novos recomeços. Eis o que procuramos definir minimamente, quando falamos de “culturas” humanas. Delas, todavia, podemos entrever apenas o que oferecem à nossa observação e à nossa experimentação , isto é, representações do real. De tal modo que toda tentativa de compreensão dos fatos de cultura nunca será outra coisa senão representação de representações, isto é, no melhor dos casos, o esforço de uma nova contextualização, de uma nova enunciação e de uma inevitável interpretação destes mesmos fatos. Esforços que procuramos edificar, recorrendo a palavras, sons, gestos, imagens, gritos e, até, a silêncios. Pois não é inútil lembrar que, sem meios de comunicação, sem suportes comunicacionais, não existiriam as sociedades humanas, menos ainda as culturas, que os homens constroem através e com o auxílio desses suportes.

 

 

Etienne Samain. 2004.

 

 

23
mar
08

Genesis

As inquietações diante do uso da Antropologia Visual e da Fotoetnografia, estão ligadas, muitas vezes a subjetividade da leitura visual e das possibilidades de decodificação e compreensão, mas também ao desconhecimento do funcionamento do aparato fotográfico. A estes problemas identificados inicialmente, de natureza puramente mecanicista, ligam-se outras mais, quando identificados a ausência do conhecimento do uso da linguagem fotográfica, da sua retórica e principalmente da ordenação lógica da mensagem fotográfica.

Assim este artigo vai unindo imagem fotográfica e texto tradicional e monta um trabalho diferenciado, que se acredita mais completo e esclarecedor, uma vez que os olhos podem ver o que as palavras dizem.

A cientificidade e a clareza ficam maiores para as pesquisas sociais, tanto na formulação de hipóteses como no entendimento dos resultados, uma vez que este método de trabalho permite ver o que o investigador descreve e diz compreender com a escrita.

A utilização de fotografias e palavras, de forma agrupada, traz uma clareza maior e, tornam mais compreensíveis e visíveis os fenômenos sociais analisados, os quais se observa, nas fotografias, o que muitas vezes tenta-se explicar somente com palavras. Acredita-se que a fotografia possa ser utilizada de modo indutivo, como outras técnicas que são utilizadas em trabalhos de campo e que substitui sobremaneira o tradicional caderno de campo do etnólogo e do antropólogo.

A fotografia, contemporânea da antropologia, tem uma eclosão conjunta com esta no século passado, e o seu uso limitado, até agora, ou mesmo reduzido em trabalhos científicos na área das ciências sociais, desmerece a vocação comum que tem com a antropologia, que é segundo Etienne Samain “a de tentar revelar os homens e a sociedades, suas paixões, delírios, seus imaginários” (Samain. 1995. p. 28), pois até agora, o seu uso se limita a ilustrações, ou ao uso em anexos no final de trabalhos científicos, ou como descrição e narração do indizível por palavras.

Mas a fotografia é funcionalista. Sua função é narrar através das imagens e como as teorias do positivismo, deveria neste caso, a fotografia, ser praticada, desenvolvida, elaborada a partir de um “agir de modo completamente desligado de qualquer vínculo com as classes sociais, com as posições políticas, com os valores morais, com as ideologias, com as utopias, com as visões de mundo”, pois este conjunto de opções são prejuízos, preconceitos ou pré-noções…” (Lowy 1985, p. 35-36), de forma que a pode constituir um material etnográfico de importante valor científico, devido ao bom uso da técnica.

John Collier Jr., a esse respeito diz que a fotografia, “além de servir de técnica indutiva, ela pode ser usada para estandardizar e tornar objetiva a interpretação da pesquisa” (Collier JR. 1973. p XVI).

Considerando que este artigo se propõe a apresentar considerações sobre a utilização da fotografia como o método de pesquisa etnográfica, ele não se compartilha portanto à uma discussão sobre a viabilidade na prática científica, mas a apresentar alguns resultados já obtidos, no experimento destas hipóteses.

E a vida continua depois de cada clic…