A“Fotoetnotextografia”, termo que neste momento, crio e que tem como objetivo definir a forma como a fotografia e o texto deverão interagir, com a mesma importância, a fim de comporem a narrativa visual aliada a oral, e estruturada para a realização de estudos sócio culturais etnográficos e antropológicos.
A “Fotoetnotextografia” define-se como a narração etnográfica com a utilização de imagens fotográficas e textos conjugados a partir da utilização dos novos suportes tecnológicos de comunicação. A fotografia digital, o gravador digital, o computador portátil, e o velho e tradicional caderno de campo.
A escolha do uso da fotografia está ligada às inúmeras possibilidades de observação e leitura que ela permite. De fato Collier Jr., diz “O valor da fotografia, nesta circunstância, é que ela oferece modos singulares de observar e descrever a cultura…” (Collier Jr., 1973:34), o que para Susan Sontag evidencia que “a Fotografia fornece provas. Determinada coisa de que ouvimos falar, mas que nos suscita dúvidas, parecemos comprovada quando delas vemos uma fotografia” (Sontag, 1981:05).
A abordagem de imagens (fotografias), textos e falas, ordenadas de forma simples, a fim de comporem um discurso comunicacional científico que busca elucidar um objeto de estudo de um fenômeno sócio cultural, que, repleto de enigmas, compõe algumas das estruturas mais elementares das sociedades existentes.
Porém, esta forma de estudo, busca fugir dos tradicionais trabalhos de antropologia visual, que exaustivamente tentam conferir ao texto o que Margaret Mead refuta ao dizer, “(…) comecei a considerar que apresentações visuais seriam capazes de ultrapassar barreiras instransponíveis para a comunicação verbal” (Mead apud Samanin apud Alves, 2004:47), refletindo então que a utilização das imagens fotográficas são eficazes na descrição da realidade do mundo visível no dizer de Guran “(…) o que se espera das fotos é que elas tenham o máximo de eficácia quanto a transmissão da informação” (Guran, 1994:49).
Assim o que para Achutti seria “(…) Uma narrativa fotoetnográfica deve se apresentar na forma de uma serie de fotos que estejam relacionadas entre si e que componham uma seqüência de informações visuais” (Achutti, 2004:109) o que se completa em Benjamin “(…) são mais facilmente visíveis na fotografia que na realidade”. (Benjamin, 1996:104).
Ettiene Samain, ao comentar Balinese Character de Bateson e Mead, diz ao se reportar ao uso da imagem e do texto, por eles aplicado na narrativa etnográfica:
Bateson e Mead sabiam que a imagem não era equivalente do texto, sabiam que a capacidade despertadora da imagem não podia igualar a função enunciativa da linguagem. Sabiam, fundamentalmente, que ambas ofereciam algo singular e se complementavam. Atribuíram credibilidade às imagens, procurando através delas traduzir idéias e conceitos relacionados ao “ethos”. Imagens sem as quais teriam precisado não de um livro, e sim de uma coleção de livros para tentar evocar, em longas e cansativas descrições verbais, condutas e comportamentos culturalmente esteriotipados e, antes de mais nada, de natureza visual. (Samain apud Alves, 2004:69).
O diálogo das percepções do velho e do novo, aqui presentes, na luta sobre as visões de mundo urbanas e modernas, rurais e cosmopolitas, diante da tradição, do mítico, do religioso e do sobrenatural, dão a matéria prima, para o pesquisador verificar esta etnografia.
Eis a forma de trabalhar com a “Photoetnographia”.




